Opinião
Três histórias de amor. Um amor intenso, incompreensível e a raiar o insano é o que nos traz Stefan Zweig no livro “Amok” que contém ainda “Carta duma Desconhecida” e a “Colecção Invisível”.
Retenhamos então o significado da expressão, muito em voga, “Amok” que dá o título a este livro:
“O senhor sabe o que é amok?
- Amok? Creio recordar-me... é uma espécie de embriaguez... entre os malaios.
- É mais do que embriaguez... é loucura, uma espécie de raiva humana, literariamente falando... uma crise de monomania assassina e insensata, à qual uma intoxicação alcoólica não se pode comparar. (...)
O amok... sim, o amok, eis o que é: um malaio, seja embora o melhor homem, mais cheio de doçura, absorve a sua bebida... está para ali apaticamente sentado, indiferente, sem energia... De súbito, levanta-se, pega num punhal e sai para a rua... corre sempre em frente, sem saber para onde... e quem passa no seu caminho, homem ou animal, ele abate-o e o cheiro a sangue torna-o ainda mais violento...Enquanto corre, os lábios enchem-se-lhe de baba e urra como um possesso... mas corre... corre sempre... sem ver nada do que lhe fica à direita ou à esquerda, correndo sempre, soltando o seu grito penetrante...”