Opinião de Leitura
A Ilha dos Pinguins A Ilha dos Pinguins

Autor: France, Anatole

Leitor:

Opinião

A Ilha dos Pinguins é uma obra satírica do escritor francês Anatole France sobre a sociedade que edificámos, os seus princípios e os fundamentos da moral.
O baptismo acidental de uma colónia de pinguins por um velho missionário, que Deus se vê obrigado a transformar em pessoas, é o ponto de partida para esta novela recheada de crítica. A vida das aves vai ver-se completamente transtornada à medida que aquilo que designamos por cultura se vai infiltrando nos hábitos da colónia. Coisas como comer, reproduzir-se ou defecar passarão a ser alvo de restrições, tabus, códigos... nada voltará a ser simples e natural como dantes.
Ao longo destas páginas vamos poder assistir ao crescer e desenvolver de uma comunidade humana e perceber o ridículo de certas convenções e as origens de muitas perversões e iniquidades da sociedade ocidental. A religião é duramente criticada e os seus santos e milagreiros desmistificados. Não escapam também à crítica nesta sociedade de Pinguínia as proibições culturais, as origens da propriedade privada ou da nobreza.
Um “pinguínico” caso Dreyfus, paradigma da injustiça e anti-semitismo camuflado da sociedade francesa de finais do século XIX, é também longamente dissecado por Anatole France. São várias, aliás, as situações que facilmente poderemos reconhecer.

É um livro que se lê bem, embora um pouco previsível e demasiado colado a situações concretas e à realidade francesa do final do século XIX e princípios do século XX.

Comentários

Anatole France é o nome literário de Jacques Anatole François Thibault

Prémio Nobel da Literatura - 1921

Citações do autor:
«En art comme en amour, l'instinct suffit.»
«On observe qu'en France, le plus souvent, les critiques musicaux sont sourds et les critiques d'art aveugles. Cela leur permet le recueillement nécessaire aux idées esthétiques."
«Les catholiques massacrèrent les réformés ; les réformés massacrèrent les catholiques : tels furent les premiers progrès de la liberté de pensée.»


"The law, in its majestic equality, forbids the rich as well as the poor to sleep under bridges, to beg in the streets, and to steal bread."
"I prefer the errors of enthusiasm to the indifference of wisdom."
"If fifty million people say a foolish thing, it is still a foolish thing."

(retirado de http://en.wikipedia.org/wiki/Anatole_France)

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