Opinião
Iossif Vissarionovitch pouco significado terá para o cidadão comum, para o homem do Século XXI. Hoje tudo avança a velocidade vertiginosa, pouca importância é dada ao passado, à História, aos horrores que marcaram um século marcado por terrores inimagináveis: o Século XX, o Século que associa as palavras horror, terror, desumanidade a Adolf Hitler. Mas houve também Iossif Vissarionovitch, Estaline, figura histórica que foi alcunhada em criança de Koba.
Martin Amis entra dentro da época, da personagem, da sua mente distorcida, das suas mulheres,dos seus filhos, de um coração frio, gelado, petrificado.Os milhões de Estaline, de Koba, não andam muito longe dos milhões de Hitler. Para percebermos o ser humano temos de perceber o mal que ele pode fazer, e isso está bem marcado na URSS de Estaline, na fome que ele instalou, nas purgas políticas que banalizou. Ao ler este livro senti medo, medo de que a mente humana possa descer a níveis que não queremos acreditar ser possíveis.
Aconselho vivamente a leitura desta obra,pela riqueza de documentação histórica, pelo que nos mostra da URSS nos anos negros de Estaline. Partes do livro são temperadas por análises subjectivas e talvez tendenciosas de Amis, mas se calhar era impossível escrever sobre este tema e não ser parcial.
Excerto
Na URSS parece não ter havido grande ansiedade ligada às feridas morais e psicológicas abertas pela Tcheka. "Arranjem pessoal mais teso", foi tudo o que Lenine teve a Dizer sobre o assunto. E Estaline, cortando pela base, como sempre, é evidente que queria os homens prontos: prendia-os a si e, mais do que isso, confirmava a sua definição tácita da natureza humana. Ele sabia que os seres humanos, dentro de determinadas condições, podem de facto passar o dia a matar, até o ano.