Joaquim Pessoa

Portugal
n. 22 Fev 1948
Poeta

15 Poemas



Amei Demais (1)

Madruguei demais. Fumei demais. Foram demais/ todas as coisas que na vida eu emprenhei./ Vejo-as agora grávidas. Redondas. Coisas tais,/ como as tais coisas nas quais nunca pensei./ / Demais foram as...

Estou Mais Perto de Ti porque Te Amo (2)

Estou mais perto de ti porque te amo./ Os meus beijos nascem já na tua boca./ Não poderei escrever teu nome com palavras./ Tu estás em toda a parte e enlouqueces-me./ / Canto os teus olhos mas não se...

Morrer de Amor é Assim (3)

Quem morre de tempo certo/ ao cabo de um certo tempo/ é a rosa do deserto/ que tem raízes no vento./ / Qual a medida de um verso/ que fale do meu amor?/ Não me chega o universo/ porque o meu verso é ...

Tudo é Paixão (4)

Assim me perguntaste,/ assim te respondi:/ tudo é paixão./ / Como não lamber/ da tua pele, o mel/ que o desejo fabrica?/ / E como a minha boca/ não recolher o néctar/ da tua boca?/ / Ou como não sorv...

Nenhuma Morte Apagará os Beijos (5)

Nenhuma morte apagará os beijos/ e por dentro das casas onde nos amámos ou pelas ruas/ [clandestinas da grande cidade livre/ estarão para sempre vivos os s...

Houve uma Ilha em Ti (6)

Houve uma ilha em ti que eu conquistei./ Uma ilha num mar de solidão./ Tinha um nome a ilha onde morei./ Chamava-se essa ilha Coração./ / Que saudades do tempo que passei./ Nenhum desses momentos foi...

Os Amantes com Casa (7)

Andavam pela casa amando-se/ no chão e contra as paredes. / Respiravam exaustos como se tivessem/ nascido da terra/ de dentro das sementeiras./ Beijavam-se magoados/ até se magoarem mais./ Um no outr...

Tu Ensinaste-me a Fazer uma Casa (8)

Tu ensinaste-me a fazer uma casa:/ com as mãos e os beijos./ Eu morei em ti e em ti meus versos procuraram/ voz e abrigo./ E em ti guardei meu fogo e meu desejo. Construí/ a minha casa./ Porém não se...

Bastava-nos Amar (9)

Bastava-nos amar. E não bastava/ o mar. E o corpo? O corpo que se enleia?/ O vento como um barco: a navegar./ Pelo mar. Por um rio ou uma veia./ / Bastava-nos ficar. E não bastava/ o mar a querer doe...

Nos Teus Gestos (10)

Nos teus gestos há animais em liberdade/ e o brilho doce que só têm as cerejas./ É neles que adormeço, e dos teus dedos/ retiro a luz azul dos arquipélagos./ / Os teus gestos são letras, sílabas, poe...

A Tua Boca (11)

A tua boca. A tua boca./ Oh, também a tua boca./ Um túnel para a minha noite./ Um poço para a minha sede./ / Os fios dormentes de água/ que a tua língua solta num grito cor-de-rosa/ e a minha língua ...

Alexandra (12)

Há pequenas aves que têm raízes nas palavras,/ essas palavras que não ficam arrumadas com decência/ na literatura,/ palavras de amantes sem amor, gente que sofre/ e a quem falta o ar quando faltam as...

Canção da Minha Tristeza (13)

Meu coração não está nas largas avenidas/ nem repousa à tarde, para lá do rio./ Nada acontece. Nada. Nem, ao menos, tu/ virás despentear os meus cabelos./ / Nem, ao menos, tu, neste tempo de angústia...

Canção de Amor (14)

Eu cantaria mesmo que tu não existisses,/ faria amor, assim, com as palavras./ Eu cantaria mesmo que tu não existisses/ porque haveria de doer-me a tua ausência./ / Por isso canto. Alegre ou triste, ...

Quem Disse que o Teu Nome é uma Espada (15)

Quem disse que o teu nome é uma espada/ e as tuas mãos dois rios transparentes?/ Quem te acordou naquela madrugada?/ O voo da águia? O silvo das serpentes?/ / Quem sabe que és a minha namorada/ e me ...


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