José Carlos Ary dos Santos

Portugal
7 Dez 1937 // 18 Jan 1984
Poeta

16 Poemas

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Estrela da Tarde (1)

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia/ Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia/ Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria./ Quando à boca d...

Desespero (2)

Não eram meus os olhos que te olharam/ Nem este corpo exausto que despi/ Nem os lábios sedentos que poisaram/ No mais secreto do que existe em ti./ / Não eram meus os dedos que tocaram/ Tua falsa bel...

Quando um Homem Quiser (3)

Tu que dormes à noite na calçada do relento/ numa cama de chuva com lençóis feitos de vento / tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento / és meu irmão, amigo, és meu irmão/ / E tu que dormes só o...

Minha Mãe que não Tenho (4)

Minha mãe que não tenho meu lençol/ de linho de carinho de distância/ água memória viva do retrato/ que às vezes mata a sede da infância./ / Ai água que não bebo em vez do fel/ que a pouc...

Retrato de Amigo (5)

Por ti falo. E ninguém sabe. Mas eu digo/ meu irmão minha amêndoa meu amigo/ meu tropel de ternura minha casa/ meu jardim de carência minha asa./ / Por ti morro e ninguém pensa. Mas eu si...

Soneto de Mal Amar (6)

Invento-te recordo-te distorço/ a tua imagem mal e bem amada/ sou apenas a forja em que me forço/ a fazer das palavras tudo ou nada./ / A palavra desejo incendiada/ lambendo a trave mestra do te...

Caminharemos de Olhos Deslumbrados (7)

Caminharemos de olhos deslumbrados/ E braços estendidos/ E nos lábios incertos levaremos/ O gosto a sol e a sangue dos sentidos./ / Onde estivermos, há-de estar o vento/ Cortado de perfumes e gemidos...

Meu Camarada e Amigo (8)

Revejo tudo e redigo/ meu camarada e amigo./ Meu irmão suando pão/ sem casa mas com razão./ Revejo e redigo/ meu camarada e amigo/ / As canções que trago prenhas/ de ternura pelos outros/ saem das mi...

Da Condição Humana (9)

Todos sofremos./ O mesmo ferro oculto/ Nos rasga e nos estilhaça a carne exposta/ O mesmo sal nos queima os olhos vivos./ Em todos dorme/ A humanidade que nos foi imposta./ Onde nos encontramos, dive...

Nona Sinfonia (10)

É por dentro de um homem que se ouve/ o tom mais alto que tiver a vida/ a glória de cantar que tudo move/ a força de viver enraivecida./ / Num palácio de sons erguem-se as traves/ que seguram o tecto...
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