Manuel António Pina

Portugal
18 Nov 1943 // 19 Out 2012
Jornalista/Poeta/Escritor

13 Poemas



Amor como em Casa (1)

Regresso devagar ao teu/ sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que/ não é nada comigo. Distraído percorro/ o caminho familiar da saudade,/ pequeninas coisas me prendem,/ uma tarde num café, u...

Completas (2)

A meu favor tenho o teu olhar/ testemunhando por mim/ perante juízes terríveis:/ a morte, os amigos, os inimigos./ / E aqueles que me assaltam/ à noite na solidão do quarto/ refugiam-se em fundos sít...

O Medo (3)

Ninguém me roubará algumas coisas,/ nem acerca de elas saberei transigir;/ um pequeno morto morre eternamente/ em qualquer sítio de tudo isto./ / É a sua morte que eu vivo eternamente/ quem quer que ...

O Lado de Fora (4)

Eu não procuro nada em ti,/ nem a mim próprio, é algo em ti/ que procura algo em ti/ no labirinto dos meus pensamentos./ / Eu estou entre ti e ti,/ a minha vida, os meus sentidos/ (principalmente os ...

A Poesia Vai Acabar (5)

A poesia vai acabar, os poetas/ vão ser colocados em lugares mais úteis./ Por exemplo, observadores de pássaros/ (enquanto os pássaros não/ acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao/ entrar numa reparti...

Não o Sonho (6)

Talvez sejas a breve/ recordação de um sonho/ de que alguém (talvez tu) acordou/ (não o sonho, mas a recordação dele),/ um sonho parado de que restam/ apenas imagens desfeitas, pressentimentos./ Tamb...

Aos Filhos (7)

Já nada nos pertence,/ nem a nossa miséria./ O que vos deixaremos/ a vós o roubaremos./ / Toda a vida estivemos/ sentados sobre a morte,/ sobre a nossa própria morte!/ Agora como morreremos?/ / Estes...

Algumas Coisas (8)

A morte e a vida morrem/ e sob a sua eternidade fica/ só a memória do esquecimento de tudo;/ também o silêncio de aquele que fala se calará./ / Quem fala de estas/ coisas e de falar de elas/ foge par...

Chico (9)

Talvez não fosses forte/ para a felicidade,/ nem para o medo./ / Olha as pessoas felizes:/ ocultam-se na felicidade/ como em casa, erguem/ / muros, fecham as janelas,/ o medo/ é a sua fortaleza./ / O...

A um Jovem Poeta (10)

Procura a rosa./ Onde ela estiver/ estás tu fora/ de ti. Procura-a em prosa, pode ser/ / que em prosa ela floresça/ ainda, sob tanta/ metáfora; pode ser, e que quando/ nela te vires te reconheças/ / ...

A um Homem do Passado (11)

Estes são os tempos futuros que temia/ o teu coração que mirrou sob pedras,/ que podes recear agora tão fundo,/ onde não chegam as aflições nem as palavras duras?/ / Desceste em andamento; afinal era...

Lugares da Infância (12)

Lugares da infância onde/ sem palavras e sem memória/ alguém, talvez eu, brincou/ já lá não estão nem lá estou./ / Onde? Diante/ de que mistério/ em que, como num espelho hesitante,/ o meu rosto, out...

Esplanada (13)

Naquele tempo falavas muito de perfeição,/ da prosa dos versos irregulares/ onde cantam os sentimentos irregulares./ Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,/ / agora lês saramagos & coisas assim/ e...


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