Ruy Belo

Portugal
27 Fev 1933 // 8 Ago 1978
Poeta/Ensaísta

13 Poemas



Povoamento (1)

No teu amor por mim há uma rua que começa/ Nem árvores nem casas existiam/ antes que tu tivesses palavras/ e todo eu fosse um coração para elas/ Invento-te e o céu azula-se sobre esta/ triste condiçã...

Elogio da Amada (2)

Ei-la que vem ubérrima numerosa escolhida/ secreta cheia de pensamentos isenta de cuidados/ Vem sentada na nova primavera/ cercada de sorrisos no regaço lírios/ olhos feitos de sombra de vento e de m...

Quanto Morre um Homem (3)

Quando eu um dia decisivamente voltar a face/ daquelas coisas que só de perfil contemplei/ quem procurará nelas as linhas do teu rosto?/ Quem dará o teu nome a todas as ruas/ que encontrar no coração...

Poema Quotidiano (4)

É tão depressa noite neste bairro/ Nenhum outro porém senhor administrador/ goza de tão eficiente serviço de sol/ Ainda não há muito ele parecia/ domiciliado e residente ao fim da rua/ O senhor não c...

Grandeza do Homem (5)

Somos a grande ilha do silêncio de deus/ Chovam as estações soprem os ventos/ jamais hão-de passar das margens/ Caia mesmo uma bota cardada/ no grande reduto de deus e não conseguirá/ desvanecer a pr...

Algumas Proposições com Crianças (6)

A criança está completamente imersa na infância/ a criança não sabe que há-de fazer da infância/ a criança coincide com a infância/ a criança deixa-se invadir pela infância como pelo sono/ deixa cair...

O Portugal Futuro (7)

O portugal futuro é um país/ aonde o puro pássaro é possível/ e sobre o leito negro do asfalto da estrada/ as profundas crianças desenharão a giz/ esse peixe da infância que vem na enxurrada/ e me pa...

Emprego e Desemprego do Poeta (8)

Deixai que em suas mãos cresça o poema/ como o som do avião no céu sem nuvens/ ou no surdo verão as manhãs de domingo/ Não lhe digais que é mão-de-obra a mais/ que o tempo não está para a poesia/ / P...

Teoria da Presença de Deus (9)

Somos seres olhados/ Quando os nossos braços ensaiarem um gesto/ fora do dia-a-dia ou não seguirem/ a marca deixada pelas rodas dos carros/ ao longo da vereda marginada de choupos/ na manhã inocente ...

Poema para a Catarina (10)

Hei-de levar-te filha a conhecer a neve/ tu que sabes do sol e das marés/ mas nunca repousaste os teus pequenos pés/ na alvura que só longe e em ti houve/ / Tinha estado na morte e não pudera/ aguent...

Poema Quase Apostólico (11)

Está sereno o poeta/ Desprende-se-lhe dos ombros e cai/ depois em pregas por ele abaixo a manhã/ Não pertencem ao dia os gestos que ele tem/ não morrerão na noite seus assombrosos passos/ Dizem que e...

Missa de Aniversário (12)

Há um ano que os teus gestos andam/ ausentes da nossa freguesia/ Tu que eras destes campos/ onde de novo a seara amadurece/ donde és hoje?/ Que nome novo tens?/ Haverá mais singular fim de semana/ do...

Homem para Deus (13)

Ele vai só ele não tem ninguém/ onde morrer um pouco toda a morte que o espera/ Se é ele o portador do grande coração/ e sabe abrir o seio como a terra/ temei não partam dele as grandes negações/ Que...


Pesquisa

O Prazer Puro do Amor para uma Rapariga Honesta

O que, subconscientemente, na rapariga honesta torna agradável o namoro, é nitidamente distrinçável. Um acto agradável é agradável não só no acto mas na antecipação dele; e, ausentes certos elementos...

Pai, Quero que Saibas

É o teu rosto que encontro. Contra nós, cresce a manhã, o dia, cresce uma luz fina. Olho-te nos olhos. Sim, quero que saibas, não te posso esconder, ainda há uma luz fina sobre tudo isto. Tudo se res...
Inspirações

A Grande Sabedoria

Facebook