Mia Couto

Moçambique
n. 5 Jul 1955
Escritor/Biólogo

Para Ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
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Preciso ser um outro/ para ser eu mesmo/ / Sou grão de rocha/ Sou o vento que a desgasta/ / Sou pólen sem insecto/ / Sou areia sustentando/ o sexo das árvores/ / Existo onde me desconheço/ aguardando...
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