25 Poemas

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Tabacaria (1)

Não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada./ À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo./ / Janelas do meu quarto,/ Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe...

Sonho. Não Sei quem Sou (2)

Sonho. Não sei quem sou neste momento./ Durmo sentindo-me. Na hora calma/ Meu pensamento esquece o pensamento,/ Minha alma não tem alma./ / Se existo é um erro eu o saber. Se acordo/ Par...

Da Condição Humana (3)

Todos sofremos./ O mesmo ferro oculto/ Nos rasga e nos estilhaça a carne exposta/ O mesmo sal nos queima os olhos vivos./ Em todos dorme/ A humanidade que nos foi imposta./ Onde nos encontramos, dive...

É Brando o Dia, Brando o Vento (4)

É brando o dia, brando o vento/ É brando o sol e brando o céu./ Assim fosse meu pensamento!/ Assim fosse eu, assim fosse eu!/ / Mas entre mim e as brandas glórias/ Deste céu limpo e este ar sem mim/ ...

De Quem é o Olhar (5)

De quem é o olhar/ Que espreita por meus olhos?/ Quando penso que vejo,/ Quem continua vendo/ Enquanto estou pensando?/ Por que caminhos seguem,/ Não os meus tristes passos,/ Mas a realidade/ De eu t...

Existir é Ser Possível Haver Ser (6)

Ah, perante esta única realidade, que é o mistério, / Perante esta única realidade terrível — a de haver uma realidade, / Perante este horrível ser que é haver ser, / Perante este abismo de existir u...

elegia (7)

já nada é o que era/ e provavelmente nunca mais o será/ e mesmo que o fosse/ algo me diz que já não seria o que era/ porque o que era/ era o que era por ser o que era/ do que eu me lembro muito bem/ ...

O Único Mistério do Universo é o Mais e não o Menos (8)

No dia brancamente nublado entristeço quase a medo/ E ponho-me a meditar nos problemas que finjo.../ / Se o homem fosse, como deveria ser,/ Não um animal doente, mas o mais perfeito dos animais,/ Ani...

Cais (9)

Ténue é o cais/ no Inverno frio./ Ténue é o voo/ do pássaro cinzento./ Ténue é o sono/ que adormece o navio./ No vago cais/ do balouço da bruma/ ténue é a estrela/ que um peixe morde./ Ténue é o port...

Sinto na Angústia o Quem me Lembrasse (10)

Sinto na angústia o quem me lembrasse/ e do lembrar a mim como uma ponte/ onde de noite já ninguém passasse/ viesse a notícia desse outro horizonte/ / em que o meu grito preso na garganta/ dissesse à...

Lição Quotidiana (11)

Cada manhã ressuscito / Do sono, esse irmão da Morte,/ Que é minha estrela do norte,/ Meu professor de infinito./ / Hora por hora medito/ Sua lição clara e forte;/ Mas nem assim minha sorte/ Encaro m...

Humana Condição (12)

Um sonhar-me distante, um longe incrível/ É agora o meu estado: Eu sonho o Espaço/ Que se fixa no mundo ao invisível/ Como se o mundo andasse por meu braço,/ / Existo além: Sou o animal temível/ De J...

No Penedo da Meditação (13)

Aprende-se até morrer.../ Mas eu fui mais refractário:/ Morrerei sem aprender,/ Vida, o teu abecedário!/ / Nem a Dor, nem o Prazer,/ No seu vaivém arbitrário,/ Souberam dar ao meu ser/ As regras do s...

Indução (14)

Há em todas as coisas/ a marca estranha/ da minha presença. / / Sons, palavras, imagens,/ tudo eu desfiguro e torno falso./ / As pessoas, à minha volta,/ deslizam vagamente como sonâmbulos/ - fantoch...

Coordenadas (15)

Conheço/ os começos/ / — o chegar as chuvas/ as migrações, o mugir/ de parelhas atreladas/ aos varais da madrugada./ / Conheço onde começa/ o medo o estupor o soco!/ Onde o homem no ar/ parado, rodop...

Há em Cada Coisa Aquilo que Ela É que a Anima (16)

Também sei fazer conjecturas./ Há em cada coisa aquilo que ela é que a anima./ Na planta está por fora e é uma ninfa pequena./ No animal é um ser interior longínquo./ No homem é a alma que vive com e...

A Força que Há na Luz (17)

A força que há na luz, não sua ausência,/ pode ser a origem mais secreta/ do escuro em que afundamos de repente:/ por excesso de luz, eis que estou cega,/ por excesso de amor, eu não entendo/ - o far...

Corpo de Ambiguidade (18)

posso e não posso ir-me noite fora/ nestes pilares do medo desta dor/ - é quando os dedos ferem (não se tocam)/ é quando hesito e coro/ / é quando vou não vou neste mergulho/ em se...

Ode II (19)

Na curva insondável/ entre a solidão e a multidão,/ tomar a si e ao mundo/ nas mãos,/ e depois da atitude,/ o claro testemunho./ / Que o existir é esse instante/ ousado/ onde um ser incansável/ depõe...

Os Olhos Meus dali Dependurados (20)

Os olhos meus dali dependurados,/ Pergunto ao mar, às ondas, aos penedos/ Como, quando, por quem foram criados?/ / Respondem-me em segredo, mil segredos,/ Cujas letras primeiras vou cortando/ Nos pés...
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