Um livro mau é quando a pessoa esconde a incapacidade de fazer uma história atrás de elucubrações filosofantes. Se um escritor não agarra o leitor pelas tripas logo nas primeiras páginas, está feito ao bife.
Está a perguntar como trabalho? Faço um plano detalhado com os capítulos todos, as personagens todas. Uma espécie de mapa do que vai acontecendo nos diversos capítulos.
A juventude de todo o mundo está a perder a capacidade de sonhar. Os jovens têm muitos desejos, mas poucos sonhos. Os desejos não resistem às dificuldades da vida, os sonhos são projectos de vida, sobrevivem ao caos.
A sociedade é óptima a exaltar os que têm sucesso e rápida a zombar dos fracassados. Quem almeja ter uma personalidade saudável não deve esquecer esta lei: não espere muito dos outros.
Portugal é um luxo. Sai caro. Quem é que está disposto a pagar o preço. O preço da independência política de Portugal não podia ser maior: é a pobreza. Acrescida de uma taxa: a solidão. As recompensas são menos concretas: a dignidade, o sentido do dever cumprido, a liberdade nacional.
Portugal está a tornar-se europeu. Em vez de se tornar europeu pelo lado bom e difícil – cuidando dos doentes, dos velhos e dos estudantes – está a tornar-se europeu da maneira mais estúpida e mais fácil. Está a ficar snob e xenófobo, como o Reino Unido, a França e a Itália.
Diz-se que o ciúme está associado ao desejo de propriedade de quem se ama – o que será verdade, mas não será, certamente, tão mau como hoje se pensa. Deseja-se possuir só quando não se sente possuir, e o ciúme é arma de incerteza com que o amor – e o conhecimento da pessoa amada como pessoa separada e inapropriável – se faz inevitavelmente (e muito bem) pagar.
O amor começa pelo amor. É o céu. O céu foi criado primeiro. A paixão é um simples impulso físico, material, mensurável, explicável por todas as ciências da atracção. É o mar. O mar está mais perto de nós. Podemos chegar ao fundo dele.
Uma lágrima enevoa, faz vir nuvens espessas ao céu dos olhos, e, de uma singela maneira, fecha-os ao que está lá fora e vira-os, com toda a beleza e intensidade, para o que está, por assim esclarecer, cá dentro de nós.
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