Pode considerar-se o homem como um animal de espécie superior, que produz filosofias e poemas pouco mais ou menos como os bichos-da-seda fazem os casulos e como as abelhas fazem as colmeias.
O homem vive de ilusão. É o pão nosso de cada hora. As almas sobem como o fumo; a busca do ideal é a fuga aos desgostos da vida real, quando menos bem compreendida; é um instinto de defesa, que solicita o homem a robustecer-se com nobres visualidades; é, enfim, o progresso espiritual e moral da consciência. A ilusão é fecunda.
E como é da essência mesma do poder procurar manter-se, haverá sempre um número mais ou menos grande de princípios que o poder não deixará discutir, isto é, a propósito dos quais a liberdade não existe.
Foram muito menos os danos em que caíram os homens por lhes faltar a notícia do passado, que aqueles que cegamente se precipitaram pela ignorância do futuro.
A primeira coisa que morre em o homem é a língua e a última coisa que lhe acaba é o coração. Será talvez porque a língua é que viveu mais desunida e por isso mais solta. O coração morre com menos pressa, porque todo o sangue se une para sua defesa.
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