Os portugueses têm a mania de dizer mal deles próprios. Quando vão para o estrangeiro percebem rapidamente que o nosso País tem muita qualidade e muito interesse. Mas só no estrangeiro.
Costuma dizer-se que o povo sabe o que quer e nunca se engana. Não é verdade. Mas um povo muito velho como o nosso acaba por ter, por razões de cultura e de subconsciente colectivo, uma grande sabedoria. Em alturas difíceis e complicadas, essa sabedoria manifesta-se.
O defeito é uma porta que uma mulher nos abre no coração. É o defeito que a transforma na vizinha do lado, na rapariga que cobiçámos no liceu, na mulher com quem casámos e que carregou o nosso filho no ventre.
Não poder mudar as pessoas é um facto demasiado incontornável para lutarmos pelo contrário. Temos de aceitar as pessoas como elas são. Por muito que nos custe, por muito que as vejamos a morrer lentamente ou a afastarem-se cada vez mais da sua divindade, temos de aceitá-las. Pelo nosso bem temos de aceitá-las.
O mau trato e a indiferença dos outros são pontes para o nosso amor-próprio. É com eles que nos é ensinado que dependemos, unicamente, de nós para sermos amados.
Andamos à procura de quê? A resposta é dada a cada um de nós, de acordo com o caminho que formos construindo com as nossas mãos e percorrendo com os nossos pés. A resposta está no fundo do nosso coração. Lá onde apenas se pode escutar o silêncio e a verdade.
Nós lemos emoções nos rostos, lemos os sinais climáticos nas nuvens, lemos o chão, lemos o Mundo, lemos a Vida. Tudo pode ser página. Depende apenas da intenção de descoberta do nosso olhar.
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