Não me importa nada que me critiquem. Exactamente como não me importa nada quando me elogiam. Tanto me faz que uma pessoa me elogie como me censure - eu considero aquilo como uma opinião pessoal e não comparo com coisa nenhuma porque eu próprio não tenho opinião pessoal a meu respeito. Não me sinto nem herói, nem criminoso, sinto que vivo, sinto que sou.
Quando vejo morrer um homem honesto e viverem tantos celerados, sinto bem enfaticamente a força desta passagem dos salmos: «Deus não quer a morte do pecador».
Não me sinto um destruidor; o que quero é que tudo nasça com a força que as cousas verdadeiras e naturais merecem, e que o ranço velho não estrague o azeite novo.
Existem certas alturas em que me sinto mais inspirado, preenchido com uma força brutal que me obriga a ouvir a minha voz interior, e é nessa altura que eu sinto mais que nunca a necessidade de um piano Pleyel.
Sinto uma consideração quase nula pelo que, em Portugal, se publica. Desgosta-me a infinidade de romances desonestos, entendendo por desonestidade não a falta de valor intrínseco óbvio (isso existe em toda a parte) mas a rede de lucro rápido através da banalização da vida. Livros reles de autores reles.
Por que é que havia de me sentir sozinho? Raras vezes na minha vida, desde que me lembro de mim, tive um sentimento de solidão. E não me sinto mal na minha companhia, divertimo-nos muito os dois, eu e eu. Não me aborreço.
Acho que sei agora qual é a minha missão, levar alegria à vida de outras pessoas. As pessoas sofrem em todo o mundo e a cada dia isso piora. Não sou um pregador, sou um cantor. É o meu papel e adoro o que faço. Agradeço a Deus por ser o que sou. E quem sabe? Talvez exista algo mais para mim. Talvez Deus queira usar-me para fazer grandes coisas. Sinto isso, espero que seja verdade.
Dentro ou fora de mim, todos os dias acontece algo que me surpreende, algo que me comove, desde a possibilidade do impossível a todos os sonhos e ilusões. É essa a matéria da minha escrita, por isso escrevo e por isso me sinto tão bem a escrever aquilo que sinto.
Eu me dou melhor comigo mesma quando estou infeliz: há um encontro. Quando me sinto feliz, parece-me que sou outra. Embora outra da mesma. Outra estranhamente alegre, esfuziante, levemente infeliz é mais tranquilo.
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