Para te escrever eu antes me perfumo toda. Eu te conheço todo por te viver toda. Em mim é profunda a vida. As madrugadas vêm me encontrar pálida de ter vivido a noite dos sonhos fundos. Embora às vezes eu sobrenade num raso aparente que tem debaixo de si uma profundidade de azul-escuro quase negro. Por isso te escrevo. Por sopro das grossas algas e no tenro nascente do amor.
Fico com medo. Mas o coração bate. O amor inexplicável faz o coração bater mais depressa. A garantia única é que eu nasci. Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser: eis os limites de minha possibilidade.
O caminho é infinito, não há nada a subtrair ou acrescentar e, no entanto, todos insistem na própria medida infantil. «Certamente que precisas de percorrer mais esse côvado de caminho, isso não te será negado».
Poucas pessoas, mesmo muito poucas, têm um tesouro, e se tu o tiveres deves agarrá-lo com toda a força. Não deves deixar que te apanhem de surpresa, e que o levem de ti.
Deves escrever, em primeiro lugar, para te agradar a ti próprio. Não deves ter qualquer preocupação em relação a ninguém que possa vir a ler o que escreves. Mas a escrita não pode ser um modo de vida - a parte mais importante da escrita é a vida. Tens que viver de forma que a tua escrita emerja a partir do que vives.
A vida é uma coisa infernal. Tu consegues ver os problemas a chegar e não conseguires fazer nada para os impedir. Apenas tens que te sentar e assistir e esperar.
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