O único caminho possível é entrar no nosso medo. Entrar nele, silenciosamente, para descobrir a sua profundidade. E por vezes verifica-se que ele não é assim tão profundo.
Nem eu nem tu compreendemos o medo. Nunca consegui entender a razão por que, nos filmes e nos desenhos animados, está implícito o medo de fantasmas que apenas pairam e que, às vezes, fazem buu. Compreendo o susto, não compreendo o medo.
O mais curioso com o medo é que nos obriga, para não fazermos algo que tememos fazer, a fazer algo que tememos ainda mais fazer. Fugir é um acto de coragem encapotado.
Os homens como eu nunca conheceram o medo na face da terra. Eu era dos mais fortes, dos mais corajosos. Não me é possível portanto descrever os medos que me sobrevieram; pois o medo de um homem forte era uma coisa nova na terra (como vós pensareis), e o medo de um homem forte é, em comparação com todos os outros medos, o mais horrível e o mais enlouquecedor (...) e intensificado pela novidade terrível da sensação.
O horror não é inimaginável, não tem a cara de um monstro nem as asas de morcego de um demónio. É calmo e tranquilo, e é durável, durando dias e noites, meses; anos, talvez. Não é mortal. Ele ataca os olhos, só os olhos.
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