Abade de Jazente

Portugal
6 Mai 1719 // 20 Nov 1789
Poeta

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Um Rafeiro Fiel de um Pastor Triste

Tó, Mondego, vem cá; pois tu somente
Alivias um pouco o meu cuidado;
Que em parte se consola um desgraçado,
Quando tem quem lhe escute o mal que sente.

Tu firme; tu leal; tu finalmente
Me tens na minha ausência acompanhado:
Raro impulso de amor! Porque ao seu lado
Ninguém quer suportar um descontente.

Ora deixa, que em prémio da piedade,
Com que o teu zelo ao meu tormento assiste,
Farei teu nome emblema da amizade.

E os versos meus que um tempo alegre ouviste
Cantarão, para exemplo da lealdade,
Um Rafeiro fiel de um Pastor triste.

Abade de Jazente, in 'Antologia Poética'




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