Joel Neto

Portugal
n. 3 Mar 1974
Escritor / Cronista

97 Citações

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Apesar de haver mais silêncio, não faltam tarefas mundanas quando se vive numa casa de campo. Perde-se tempo com coisas que não acontecem num apartamento da cidade. As coisas deterioram-se, há animais, o jardim cresce. São menores as solicitações sociais, os compromissos de networking e das capelinhas intelectuais literárias e jornalísticas. Passei a ter uma rotina fixa, acordo muito cedo, trabalho muitas horas e o tempo livre é aproveitado de maneira mais útil.

Entrevista Diário de Notícias, 12 Fev 2017
Viver no campo tornou-me uma pessoa muito menos cínica e sombria do que resulta manter-me distante de um determinado modo de pensar instituído. Não é necessariamente um olhar do campo, é o debate com a possibilidade de um outro tipo de inteligência e de abordagem literária da existência humana só possível num cenário deste género.

Entrevista Diário de Notícias, 12 Fev 2017
Cada autor tem os seus objetos literários e os meus sempre foram aqueles que estão à minha volta e os da memória. Ter voltado para o local onde estão as grandes referências e reencontrar-me com elas, e ao mesmo tempo sentir o despertar de emoções que estavam adormecidas, permite-me um diagnóstico diferencial quando em confronto com os factos sobre o que entretanto se tinha bestializado.

Entrevista Diário de Notícias, 12 Fev 2017
Não padeço da comoçãozinha do dia que domina o discurso da comunicação social e das redes sociais, que coloca toda a gente indignada da mesma maneira. Nem sinto necessidade de fazer parte de um único olhar do mundo. Sinto-me mais livre.

Entrevista Diário de Notícias, 12 Fev 2017
Há muita gente a escrever igual no universo da lusofonia porque as pessoas frequentam os mesmos lugares e submetem-se a códigos de linguagem e de pensamento iguais - são pastiches umas das outras. Viver longe dá-me um olhar mais assertivo sobre o mundo.

Entrevista Diário de Notícias, 12 Fev 2017
No dia em que eu deixar de comover-me com um homem que ama a sua mulher e come sardinhas em lata e isso basta-lhe, não terei mais por onde ir – que venha a negra da gadanha e, por misericórdia, me ponha a salvo da miséria.

A Vida no Campo
Um homem que não sabe nada sobre o seu pai nunca saberá nada sobre si próprio, nem esse conhecimento alguma vez lhe fará falta.

A Vida no Campo
Nenhum homem é apenas o homem do gás.

A Vida no Campo
Se me pedirem para reduzir ao essencial a diferença entre o campo e a cidade, então aí está ela: o efeito que tem em nós uma sirene no horizonte. Na cidade, é apenas uma sirene. Aqui, há uma boa hipótese de se tratar de alguém que conhecemos, talvez até de alguém que estimamos.

A Vida no Campo
Ainda é a rotina que buscamos, como um ideal. Não conheço melhor instrumento. Permite-nos ir chegando para o lado tudo o que é mecânico, ou burocrático, ou aborrecido – e, entretanto, viver. A rotina é o inimigo número um do tédio.

A Vida no Campo
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