Inês Lourenço

Portugal
n. 7 Nov 1942
Poeta

7 Poemas



Português Vulgar (1)

O meu gato deixa-se ficar/ em casa, farejando o prato/ e o caixote das areias. Já não vai/ de cauda erguida contestar o domínio/ dos pedantes de raça, pelos/ quintais que restam. O meu gato/ é um por...

Rua de Camões (2)

A minha infância/ cheira a soalho esfregado a piaçaba/ aos chocolates do meu pai aos Domingos/ à camisa de noite de flanela/ da minha mãe/ / Ao fogão a carvão/ à máquina a petróleo/ ao zinco da bacia...

Primeira Casa (3)

Muitas vezes, por outras casas/ e noutros países sonhava/ com o soalho antigo e a varanda/ onde um entardecer de plátanos/ enchia o peito de uma secreta/ ansiedade, sem motivo. O quarto/ da Mãe, esse...

Mamografia de Mármore (4)

Deliciam-me as palavras/ dos relatórios médicos, os nomes cheios/ de saber oculto e míticos lugares/ como a região sacro-lombar ou o tendão de Aquiles./ / Numa mamografia de rastreio,/ a incidênci...

Dois Cimbalinos Escaldados (5)

Não sei, meu amigo, o que/ irradiava mais calor, se/ a chávena escaldada, se/ o cimbalino fervente, se/ as conversas sobre livros de poesia/ que nesse tempo ainda/ acreditávamos ser a maior/ razão./ ...

Balada dos Amores Difíceis (6)

Não me refiro aos trágicos: Romeu e Julieta/ Tristão e Isolda, Pedro e Inês nem a alguns ignorados/ ícones como Yourcenar e Grace ou Rimbaud e Verlaine. Refiro-me/ aos que se buscam sem saber nada/ d...

Arte Poética II (7)

Poluída e rútila/ é a beleza de um verso/ cercado o movente sangue/ sobre a neve,/ lugar sem bússola onde escassos chegam,/ sem país, sem linho, sol ou noite./ / Inês Lourenço, in 'Os Solistas'


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