Manuel Maria Barbosa du Bocage

Portugal
1765 // 1805
Poeta

35 Poemas

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Nascemos para Amar (1)

Nascemos para amar; a Humanidade/ Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura./ Tu és doce atractivo, ó Formosura,/ Que encanta, que seduz, que persuade./ / Enleia-se por gosto a liberdade;/ E depois qu...

O Leão e o Porco (2)

O rei dos animais, o rugidor leão,/ Com o porco engraçou, não sei por que razão./ Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna/ (A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna):/ Deu-lhe alta dignidade, e r...

Morte, Juízo, Inferno e Paraíso (3)

Em que estado, meu bem, por ti me vejo,/ Em que estado infeliz, penoso e duro!/ Delido o coração de um fogo impuro,/ Meus pesados grilhões adoro e beijo./ / Quando te logro mais, mais te desejo;/ Qua...

És dos Céus o Composto Mais Brilhante (4)

Marília, nos teus olhos buliçosos/ Os Amores gentis seu facho acendem;/ A teus lábios, voando, os ares fendem/ Terníssimos desejos sequiosos./ / Teus cabelos subtis e luminosos/ Mil vistas cegam, mil...

Nada se Pode Comparar Contigo (5)

O ledo passarinho, que gorjeia/ D'alma exprimindo a cândida ternura;/ O rio transparente, que murmura,/ E por entre pedrinhas serpenteia;/ / O Sol, que o céu diáfano passeia,/ A Lua, que lhe deve a f...

A Negra Fúria Ciúme  (6)

Morre a luz, abafa os ares/ Horrendo, espesso negrume,/ Apenas surge do Averno/ A negra fúria Ciúme./ / Sobre um sólio cor da noite/ Jaz dos Infernos o Nurne,/ E a seus pés tragando brasas/ A negra f...

Sátira (7)

Besta e mais besta! O positivo é nada.../ (Perdoa, se em gramática te falo,/ Arte que ignoras, como ignoras tudo.)/ Besta e mais besta! Na palavra embirro;/ Que a besta anexa ao mais teu ser define./...

Meu Ser Evaporei na Luta Insana (8)

Meu ser evaporei na luta insana / Do tropel de paixões que me arrastava: / Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava / Em mim quasi imortal a essência humana!/ / De que inúmeros sóis a mente ufana / Ex...

A Rosa (9)

Tu, flor de Vénus,/ Corada Rosa,/ Leda, fragrante,/ Pura, mimosa,/ / Tu, que envergonhas/ As outras flores,/ Tens menos graça/ Que os meus amores./ / Tanto ao diurno/ Sol coruscante/ Cede a nocturna/...

Camões, Grande Camões, quão Semelhante (10)

Camões, grande Camões, quão semelhante / Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!/ Igual causa nos fez, perdendo o Tejo, / Arrostar co'o sacrílego gigante; / / Como tu, junto ao Ganges sussurrante, / ...

Amor Sem Fruto, Amor Sem Esperança (11)

Amor sem fruto, amor sem esperança/ É mais nobre, mais puro,/ Que o que, domando a ríspida esquivança,/ Jaz dos agrados nas prisões seguro./ Meu leal coração, constante e forte,/ Vendo a teu lado ace...

Tu, Vã Filosofia (12)

Tu, vã Filosofia, embora aviltes/ Os crentes nas visões do pensamento,/ Turvo clarão de raciocínios tristes/ Por entre sombras nos conduz, e a mente,/ Rastejando a verdade, a desencanta;/ Nem doloros...

Depois de Te Haver Criado, a Natureza Pasmou (13)

A mãe, que em berço dourado/ Pôs teu corpo cristalino,/ É sup'rior ao Destino,/ Depois de te haver criado./ Quando Amor, o Nume alado,/ Tua infância acalentou,/ Quando os teus dias fadou,/ Minha Líli...

Se é Doce (14)

Se é doce no recente, ameno Estio/ Ver toucar-se a manhã de etéreas flores,/ E, lambendo as areias e os verdores,/ Mole e queixoso deslizar-se o rio;/ / Se é doce no inocente desafio/ Ouvirem-se os v...

Soneto Ditado na Agonia (15)

Já Bocage não sou!... À cova escura / Meu estro vai parar desfeito em vento... / Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento / Leve me torne sempre a terra dura;/ / Conheço agora já quão vã figura, / Em pro...

Magro, de Olhos azuis, Carão Moreno (16)

Magro, de olhos azuis, carão moreno,/ Bem servido de pés, meão na altura,/ Triste de facha, o mesmo de figura,/ Nariz alto no meio, e não pequeno;/ / Incapaz de assistir num só terreno,/ Mais propens...

Olhos Suaves, que em Suaves Dias (17)

Olhos suaves, que em suaves dias/ Vi nos meus tantas vezes empregados; / Vista, que sobra esta alma despedias/ Deleitosos farpões, no céu forjados: / / Santuários de amor, luzes sombrias, / Olhos, ol...

Amor a Amor Nos Convida (18)

Com dura e branda cadeia,/ Com facho activo e suave,/ De seus mistérios co'a chave,/ Amor entre nós volteia:/ Já deprime, já gloreia,/ Já dá morte, já dá vida;/ E nesta incessante lida,/ Que em si tr...

Oh Retrato da Morte, oh Noite Amiga (19)

Oh retrato da morte, oh noite amiga/ Por cuja escuridão suspiro há tanto! / Calada testemunha do meu pranto, / Des meus desgostos secretária antiga!/ / Pois manda Amor, que a ti somente os diga, / Dá...

Eu Me Ausento de Ti, Meu Pátrio Sado (20)

Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado,/ Mansa corrente deleitos, amena, / Em cuja praia o nome de Filena/ Mil vezes tenho escrito, e mil beijado: / / Nunca mais me verás entre o meu gado / Soprando a ...
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