Paul Éluard

França
14 Dez 1895 // 18 Nov 1952
Poeta

Ó Meus Irmãos Contrários

Ó meus irmãos contrários que guardais nas vossas
                                                                [pupilas
A noite infusa e o seu horror
Onde vos deixei eu
Com vossas pesadas mãos no azeite preguiçoso
Dos vossos actos antigos
Com tão pouca esperança que'a morte tem razão
Ó meus irmãos perdidos
Eu vou para a vida tenho aparência de homem
Para provar que o mundo é feito à minha medida

E não estou só
Mil imagens de mim multiplicam a luz
Mil olhares semelhantes igualam a carne
É a ave é a criança é a rocha é a planície
Que se misturam a nós
O ouro desata a rir ao ver-se fora do abismo
A água o fogo despem-se por uma única estação
Já não há eclipse na fronte do universo.

Paul Eluard, in "Algumas das Palavras"
Tradução de António Ramos Rosa
// Consultar versos e eventuais rimas




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