137 Poemas

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Tabacaria (1)

Não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada./ À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo./ / Janelas do meu quarto,/ Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe...

Tenho Tanto Sentimento (2)

Tenho tanto sentimento/ Que é frequente persuadir-me/ De que sou sentimental,/ Mas reconheço, ao medir-me,/ Que tudo isso é pensamento,/ Que não senti afinal./ / Temos, todos que vivemos,/ Uma vida q...

Cansaço (3)

O que há em mim é sobretudo cansaço — / Não disto nem daquilo, / Nem sequer de tudo ou de nada: / Cansaço assim mesmo, ele mesmo, / Cansaço. / / A subtileza das sensações inúteis, / As paixões violen...

A Vida (4)

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;/ Inútil o desejo e o sentimento.../ Lançar um grande amor aos pés d'alguém/ O mesmo é que lançar flores ao vento!/ / Todos somos no mundo Pedro Sem ,/ Uma alegria ...
Livro de Sóror Saudade

Estou Tonto (5)

Estou tonto, / Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar, / Ou de ambas as coisas. / O que sei é que estou tonto / E não sei bem se me devo levantar da cadeira / Ou como me levantar dela. / Fiquemos n...

Dorme, que a Vida é Nada! (6)

Dorme, que a vida é nada!/ Dorme, que tudo é vão!/ Se alguém achou a estrada,/ Achou-a em confusão,/ Com a alma enganada./ / Não há lugar nem dia/ Para quem quer achar,/ Nem paz nem alegria/ Para que...

Pedra Filosofal (7)

Eles não sabem que o sonho/ é uma constante da vida/ tão concreta e definida/ como outra coisa qualquer,/ como esta pedra cinzenta/ em que me sento e descanso,/ como este ribeiro manso/ em serenos so...

Encostei-me (8)

Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos, / E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício. / A minha vida passada misturou-se com a futura, / E houve no meio um ruído do ...

Vivo uma Vida que não Quero nem Amo (9)

Súbdito inútil de astros dominantes,/ Passageiros como eu, vivo uma vida/ Que não quero nem amo,/ Minha porque sou ela,/ / No ergástulo de ser quem sou, contudo,/ De em mim pensar me livro, olhando n...

Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio (10)

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio./ Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos/ Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas./ (Enlacemos as mãos.)/ / Depois p...

Passagem das Horas (11)

Trago dentro do meu coração, / Como num cofre que se não pode fechar de cheio, / Todos os lugares onde estive, / Todos os portos a que cheguei, / Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigia...

Na Noite Terrível (12)

Na noite terrível, substância natural de todas as noites, / Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites, / Relembro, velando em modorra incômoda, / Relembro o que fiz e o que po...

Que Noite Serena! (13)

Que noite serena! / Que lindo luar! / Que linda barquinha / Bailando no mar!/ / Suave, todo o passado — o que foi aqui de Lisboa — me surge... / O terceiro andar das tias, o sossego de outrora, / So...

Vida (14)

Três votos fará aquele/ que não ser tolo decida/ e venha deles primeiro/ o de obediência à vida/ / será o segundo a vir/ o de não querer ser rico/ o muito passe de largo/ o pouco lhe apure o bico/ / ...

Ela Canta, Pobre Ceifeira (15)

Ela canta, pobre ceifeira,/ Julgando-se feliz talvez;/ Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia/ De alegre e anônima viuvez,/ / Ondula como um canto de ave/ No ar limpo como um limiar,/ E há curvas no enre...

Ao Volante (16)

Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra, / Ao luar e ao sonho, na estrada deserta, / Sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco / Me parece, ou me forço um pouco para que me pareça, / Que si...

Breves São os Anos (17)

No breve número de doze meses/ O ano passa, e breves são os anos,/ Poucos a vida dura./ Que são doze ou sessenta na floresta/ Dos números, e quanto pouco falta/ Para o fim do futuro!/ Dois terços já,...

Vida (18)

Sempre a indesencorajada alma do homem/ resoluta indo à luta./ (Os contingentes anteriores falharam?/ Pois mandaremos novos contingentes/ e outros mais novos.)/ Sempre o cerrado mistério/ de todas as...

Pergunto-te Onde se Acha a Minha Vida (19)

Pergunto-te onde se acha a minha vida./ Em que dia fui eu. Que hora existiu formada/ de uma verdade minha bem possuída./ / Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada./ / E a quem é que pergunto...

Dispersão (20)

Perdi-me dentro de mim/ Porque eu era labirinto,/ E hoje, quando me sinto,/ É com saudades de mim./ / Passei pela minha vida/ Um astro doido a sonhar./ Na ânsia de ultrapassar,/ Nem dei pela minha vi...
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Pesquisa

O Segredo das Mulheres

Como os homens andam sempre atrasados em relação às mulheres (porque só pensam numa coisa de cada vez e acham que falar acerca das coisas é pior do que fazê-las), quem sabe se não é estudando o compo...

Somos Vítimas de uma Prolongada Servidão Colectiva

Produto de dois séculos de falsa educação fradesca e jesuítica, seguidos de um século de pseudo-educação confusa, somos as vítimas individuais de uma prolongada servidão colectiva. Fomos esmagados (....
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