— Não creias, fero Bóreas, que te creio / Que me tiveste nunca amor constante, / Que brandura é de amor mais certo arreio, / E não convém furor a firme amante.
Que bom que deve ser, longe desta banalidade trágica, pensar nas terras de Portugal! Eu creio que Portugal só pode gramar-se assim: longe dele, nas saudades.
Eu creio que para se fazer uma obra literária temos simplesmente que sonhar a nossa própria vida - um sonho onde a imaginação e a memória se confundam.
Creio que o amor por uma paisagem pode ser sensual. Muitas coisas relevam da sexualidade. É um abismo. Mesmo a morte é um ato sexual, o mais virtuoso, o mais belo, o último.
Creio que, numa relação, o beijo terá sempre de manter a densidade do primeiro, a história de uma vida, todos os pores-do-sol, todas as palavras murmuradas no escuro, toda a certeza do amor.
Escrevo muito pouco sobre sexo nos livros, afinal, e como dizia Alessando Manzoni, já há tanto amor no mundo que não é preciso introduzi-lo nos romances. Creio que quem enche os livros de sexo é porque tem pouco na sua vida.
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