Os olhos já vão rompendo a núvem de poeira que se tem levantado diante deles; e o povo algum dia declarar-se-á solenemente contra o escárneo que há 20 anos todos os governos em Portugal dele têm feito. E fatal e tremendo será esse desagravo. Ainda é tempo de remediá-lo, mas não há tempo a perder.
Essa tendência actual de elogiar as pessoas dizendo que são «muito humanas» está-me cansando. Em geral esse «humano» está querendo dizer «bonzinho», «afável», senão meloso.
Talvez esse tenha sido o meu maior esforço de vida: para compreender a minha não-inteligência, o meu sentimento, fui obrigada a me tornar inteligente. (Usa-se a inteligência para entender a não-inteligência. Só que depois o instrumento – o intelecto – por vício de jogo continua a ser usado – e não podemos colher as coisas de mãos limpas, directamente na fonte).
Leopardos irrompem no templo e bebem até ao fim os jarros de sacrifício; isso repete-se sempre, sem interrupção; finalmente, pode-se contar de antemão com esse acto e ele transforma-se numa parte da cerimónia.
O caminho é infinito, não há nada a subtrair ou acrescentar e, no entanto, todos insistem na própria medida infantil. «Certamente que precisas de percorrer mais esse côvado de caminho, isso não te será negado».
Podes conter-te diante dos sofrimentos do mundo – é algo que tens liberdade de fazer e corresponde à tua natureza, mas talvez seja esse autocontrole o único sofrimento que poderias evitar.
Portugal precisa de apoio internacional generalizado e merece-o. Esse apoio, venha de onde vier, tem de respeitar a nossa independência e uma rigorosa não ingerência nos nossos assuntos.
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