Os espíritos altamente analíticos vêem quase que só defeitos: quanto mais forte a lente mais imperfeita se mostra a cousa observada. O detalhe é sempre mau.
Vede quanto a glutonaria, sujeitando a contribuição a terra e o mar, faz passar pela garganta quantos cozinheiros, pasteleiros e criados se aprestam para preparar e dispor um banquete. Deuses, quantos homens um só estômago põe em movimento.
A maior parte dos homens expõe-se o bastante na guerra para salvar a sua honra. Mas poucos se expõem tanto quanto o necessário para atingir o propósito que os levou a expor-se.
Não é tanto a fecundidade do espírito que nos leva a encontrar expedientes diversos em relação a um mesmo assunto, quanto a falta de inteligência que nos faz deter perante tudo o que se apresenta à nossa imaginação e nos impede de discernir com clareza o que é melhor.
O espírito afeiçoa-se por preguiça e por constância àquilo que lhe é fácil ou agradável. Este hábito limita sempre o nosso conhecimento e nunca ninguém se deu ao trabalho de engrandecer e de levar o seu espírito tão longe quanto ele poderia ir.
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