Livro de Mágoas

por: Florbela Espanca
Portugal
8 Dez 1894 // 8 Dez 1930
Poetisa

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31 Poemas

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Velhinha (21)

Se os que me viram já cheia de graça/ Olharem bem de frente em mim,/ Talvez, cheios de dor, digam assim:/ “Já ela é velha! Como o tempo passa! ...”/ / Não sei rir e cantar por mais que faça...

Em Busca do Amor (22)

O meu Destino disse-me a chorar:/ “Pela estrada da Vida vai andando,/ E, aos que vires passar, interrogando/ Acerca do Amor, que hás-de encontrar.”/ / Fui pela estrada a rir e a cantar,/ As cont...

Impossível (23)

Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste:/ “Parece Sexta-Feira de Paixão./ Sempre a cismar, cismar de olhos no chão,/ Sempre a pensar na dor que não existe .../ / O que é que tem?! Tão nova e...
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Tédio (24)

Passo pálida e triste. Oiço dizer:/ “Que branca que ela é! Parece morta!”/ e eu que vou sonhando, vaga, absorta,/ não tenho um gesto, ou um olhar sequer .../ / Que diga o mundo e a gente o qu...

As Minhas Ilusões (25)

Hora sagrada dum entardecer/ De Outono, à beira-mar, cor de safira,/ Soa no ar uma invisível lira .../ O sol é um doente a enlanguescer .../ / A vaga estende os braços a suster,/ Numa dor de revo...

Pior Velhice (26)

Sou velha e triste. Nunca o alvorecer/ Dum riso são andou na minha boca!/ Gritando que me acudam, em voz rouca,/ Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!/ / A Vida, que ao nascer, enfeita e touca/ De a...
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Languidez (27)

Tardes da minha terra, doce encanto,/ Tardes duma pureza de açucenas,/ Tardes de sonho, as tardes de novenas,/ Tardes de Portugal, as tardes de Anto,/ / Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!/ Horas...

Dizeres Íntimos (28)

É tão triste morrer na minha idade!/ E vou ver os meus olhos, penitentes/ Vestidinhos de roxo, como crentes/ Do soturno convento da Saudade!/ / E logo vou olhar (com que ansiedade! ...)/ As minhas ...

Torre de Névoa (29)

Subi ao alto, à minha Torre esguia,/ Feita de fumo, névoas e luar,/ E pus-me, comovida, a conversar/ Com os poetas mortos, todo o dia./ / Contei-lhes os meus sonhos, a alegria/ Dos versos que são ...

Castelã da Tristeza (30)

Altiva e couraçada de desdém,/ Vivo sozinha em meu castelo: a Dor!/ Passa por ele a luz de todo o amor .../ E nunca em meu castelo entrou alguém!/ / Castelã da Tristeza, vês? ... A quem? .../ ...
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