Como se morre de velhice/ ou de acidente ou de doença,/ morro, Senhor, de indiferença./ / Da indiferença deste mundo/ onde o que se sente e se pensa/ não tem eco, na ausência imensa./ / Na aus...
Foi bonito/ O meu sonho de amor./ Floriram em redor/ Todos os campos em pousio./ Um sol de Abril brilhou em pleno estio,/ Lavado e promissor./ Só que não houve frutos/ Dessa primavera./ A vida diss...
Tão velho estou como árvore no inverno,/ vulcão sufocado, pássaro sonolento./ Tão velho estou, de pálpebras baixas,/ acostumado apenas ao som das músicas,/ à forma das letras./ / Fere-me a lu...
Tenho uma saudade tão braba/ Da ilha onde já não moro,/ Que em velho só bebo a baba/ Do pouco pranto que choro./ / Os meus parentes, com dó,/ Bem que me querem levar,/ Mas talvez que nem meu pó...
Alma serena, a consciência pura,/ assim eu quero a vida que me resta./ Saudade não é dor nem amargura,/ dilui-se ao longe a derradeira festa./ / Não me tentam as rotas da aventura,/ agora sei que...
Todos nasceram velhos — desconfio./ Em casas mais velhas que a velhice,/ em ruas que existiram sempre — sempre/ assim como estão hoje/ e não deixarão nunca de estar:/ soturnas e paradas e inde...
É bom envelhecer!/ / Sentir cair o tempo,/ magro fio de areia,/ numa ampulheta inexistente!/ / Passam casais jovens/ abraçados!.../ / As árvores/ balançam novos ramos!.../ / E o fio de areia/ a c...
A tua cabeleira/ é já grisalha ou mesmo branca?/ Para mim é toda loira/ e circundada de estrelas./ Sobre ela/ o tempo não poisou/ o inverno dos anos/ que se escoam maldosos/ insinuando rugas, fio...
Velho cego, choravas quando a tua vida/ era boa, e tinhas em teus olhos o sol:/ mas se tens já o silêncio, o que é que tu esperas,/ o que é que esperas, cego, que esperas da dor?/ / No teu canto ...
Se os que me viram já cheia de graça/ Olharem bem de frente em mim,/ Talvez, cheios de dor, digam assim:/ “Já ela é velha! Como o tempo passa! ...”/ / Não sei rir e cantar por mais que faça...
Livro de Mágoas
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