Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia/ Tinha não sei qual guerra,/ Quando a invasão ardia na cidade/ E as mulheres gritavam,/ Dois jogadores de xadrez jogavam/ O seu jogo contínuo./ / À sombr...
Viver sempre também cansa./ / O sol é sempre o mesmo e o céu azul/ ora é azul, nitidamente azul,/ ora é cinzento, negro, quase-verde.../ Mas nunca tem a cor inesperada./ / O mundo não se modifi...
Já não vivo, só penso. E o pensamento/ é uma teia confusa, complicada,/ uma renda subtil feita de nada:/ de nuvens, de crepúsculos, de vento./ / Tudo é silêncio. O arco-íris é cinzento,/ e e...
Respiro e vejo. A noite e cada sol/ vão rompendo de mim a todo o instante,/ tarde e manhã que são tecido tempo,/ chuva e colheita. O céu, repouso e vento./ / Vergel de aves. Vou entre viveiros,/ ...
Mestre, são plácidas/ Todas as horas/ Que nós perdemos,/ Se no perdê-las,/ Qual numa jarra,/ Nós pomos flores./ / Não há tristezas/ Nem alegrias/ Na nossa vida./ Assim saibamos,/ Sábios incau...
O solitário gesto de viver/ não demanda a coragem que há na faca,/ na ponta do punhal e até no grito/ de quem fala mais alto e está coberto/ de razões, de certezas, de verdades./ O gesto de viv...
O que isto é, viver!/ Abrir os olhos, ver,/ E ser o nevoeiro que se vê!/ Nevoeiro ao nascer,/ Nevoeiro ao morrer,/ E um destino na mão que se não lê.../ / Miguel Torga, in 'Diário (1942)'
Conheci tipos que viveram muito. Estão/ mortos, quase todos: de suicídio, de cansaço./ de álcool, da obrigação de viver/ que os consumia. Que ficou das suas vidas? Que/ mulheres os lembram com ...
Retomo, pois, ao ponto de partida/ como um presente, o ponto de chegada./ Entre um começo e outro não há nada/ Excepto o nada da vida vivida./ / Desgaste, corrosão do que de novo/ em velho se mud...
A meio desta vida continua a ser/ difícil, tão difícil/ atravessar o medo, olhar de frente/ a cegueira dos rostos debitando/ palavras destinadas a morrer/ no lume impaciente de outras bocas/ anunc...
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