A Crise da Indiferença e do Desalento
Hoje mais do que nunca, nesta hora angustiosa que atravessa o PaÃs, mantenho os Meus indiscutÃveis direitos ao Trono de Meus Maiores. (...) Politicamente: a desunião, a anarquia e o terror, verdadeiras significações do bolchevismo. Economicamente: a fome a bater à porta dos pobres especialmente, a fome a aliada mais poderosa da desordem. Financeiramente: a ruÃna que cada dia se aproxima, pois basta ver o que são hoje a nossa circulação fiduciária, a nossa dÃvida e o descrédito do dinheiro português. Na nossa situação internacional melhor é nem falar, tão graves são as apreensões que acerca dela surgem de todos os lados. Por cima de todas estas coisas, há uma outra pior ainda, se possÃvel é: a crise da indiferença e do desalento! (...) Não abdicamos dos nossos princÃpios, pois representam aqueles que durante séculos fizeram a glória de Portugal, mas quando vemos o nosso PaÃs afundar-se é nosso dever oferecer à Mãe Pátria os nossos serviços para a socorrer.
Dom Manuel II, in 'Carta a Aires de Ornelas (1920)'