Até hoje foi impossível realizar a ordem moral que suscitasse, no exercício da política, o modelo que o discurso dos políticos tenta revelar. Há uma dimensão de mentira, de encobrimento e de dissimulação na sociedade portuguesa que chega para exonerar das nossas almas o mais leve resquício de esperança. O seu parentesco com o ininteligível é o reflexo de outra mistificação: o «real» está convencionalmente determinado: é fabricado e artificial.
Jornal de Negócios
/ 20050603