Sophia de Mello Breyner Andresen

Portugal
6 Nov 1919 // 2 Jul 2004
Poeta

25 Poemas

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Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo (1)

Para atravessar contigo o deserto do mundo/ Para enfrentarmos juntos o terror da morte/ Para ver a verdade para perder o medo/ Ao lado dos teus passos caminhei/ / Por ti deixei meu reino meu segredo/...

Esta Gente (2)

Esta gente cujo rosto/ Às vezes luminoso/ E outras vezes tosco/ / Ora me lembra escravos/ Ora me lembra reis/ / Faz renascer meu gosto/ De luta e de combate/ Contra o abutre e a cobra/ O porco e o mi...

Terror de Te Amar (3)

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo/ / Mal de te amar neste lugar de imperfeição/ Onde tudo nos quebra e emudece/ Onde tudo nos mente e nos separa./ / Que nenhuma estrela queime o teu...

Che Guevara (4)

Contra ti se ergueu a prudência dos inteligentes e o arrojo/ [dos patetas/ A indecisão dos complicados e o primarismo/ Daqueles que c...

Apesar das Ruínas (5)

Apesar das ruínas e da morte,/ Onde sempre acabou cada ilusão,/ A força dos meus sonhos é tão forte,/ Que de tudo renasce a exaltação/ E nunca as minhas mãos ficam vazias./ / Sophia de Mello Breyn...

Com Fúria e Raiva (6)

Com fúria e raiva acuso o demagogo/ E o seu capitalismo das palavras/ / Pois é preciso saber que a palavra é sagrada/ Que de longe muito longe um povo a trouxe/ E nela pôs sua alma confiada/ / De lon...

A Forma Justa (7)

Sei que seria possível construir o mundo justo/ As cidades poderiam ser claras e lavadas/ Pelo canto dos espaços e das fontes/ O céu o mar e a terra estão prontos/ A saciar a nossa fome do terrestre/...

Assim o Amor (8)

Assim o amor/ Espantado meu olhar com teus cabelos/ Espantado meu olhar com teus cavalos/ E grandes praias fluidas avenidas/ Tardes que oscilam demoradas/ E um confuso rumor de obscuras vidas/ E o te...

Pátria (9)

Por um país de pedra e vento duro/ Por um país de luz perfeita e clara/ Pelo negro da terra e pelo branco do muro/ / Pelos rostos de silêncio e de paciência/ Que a miséria longamente desenhou/ Rente ...

Os Erros (10)

A confusão a fraude os erros cometidos/ A transparência perdida — o grito/ Que não conseguiu atravessar o opaco/ O limiar e o linear perdidos/ / Deverá tudo passar a ser passado/ Como projecto falhad...

25 de Abril (11)

Esta é a madrugada que eu esperava/ O dia inicial inteiro e limpo/ Onde emergimos da noite e do silêncio/ E livres habitamos a substância do tempo/ / Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'O Nome d...

Quando (12)

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta/ Continuará o jardim, o céu e o mar,/ E como hoje igualmente hão-de bailar/ As quatro estações à minha porta./ / Outros em Abril passarão no pomar/ Em que ...

Revolução (13)

Como casa limpa/ Como chão varrido/ Como porta aberta/ / Como puro início/ Como tempo novo/ Sem mancha nem vício/ / Como a voz do mar/ Interior de um povo/ / Como página em branco/ Onde o poema emerg...

Sua Beleza (14)

Sua beleza é total/ Tem a nítida esquadria de um Mantegna/ Porém como um Picasso de repente/ Desloca o visual/ / Seu torso lembra o respirar da vela/ Seu corpo é solar e frontal/ Sua beleza à força d...

Os Amigos (15)

Voltar ali onde/ A verde rebentação da vaga/ A espuma o nevoeiro o horizonte a praia/ Guardam intacta a impetuosa/ Juventude antiga -/ Mas como sem os amigos/ Sem a partilha o abraço a comunhão/ Resp...

Liberdade (16)

O poema é/ A liberdade/ / Um poema não se programa/ Porém a disciplina/ — Sílaba por sílaba — / O acompanha/ / Sílaba por sílaba/ O poema emerge/ — Como se os deuses o dessem/ O fazemos/ / Sophi...

Eis-me (17)

Eis-me/ Tendo-me despido de todos os meus mantos/ Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses/ Para ficar sozinha ante o silêncio/ Ante o silêncio e o esplendor da tua face/ / Mas tu és de todos ...

De um Amor Morto (18)

De um amor morto fica/ Um pesado tempo quotidiano/ Onde os gestos se esbarram/ Ao longo do ano/ / De um amor morto não fica/ Nenhuma memória/ O passado se rende/ O presente o devora/ E os navios do t...

As Pessoas Sensíveis (19)

As pessoas sensíveis não são capazes/ De matar galinhas/ Porém são capazes/ De comer galinhas/ / O dinheiro cheira a pobre e cheira/ À roupa do seu corpo/ Aquela roupa/ Que depois da chuva secou sobr...

Aqui (20)

Aqui, deposta enfim a minha imagem,/ Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,/ No interior das coisas canto nua./ / Aqui livre sou eu — eco da lua/ E dos jardins, os gestos recebidos/ E o tumulto d...
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