Teixeira de Pascoaes

Portugal
8 Nov 1877 // 14 Dez 1952
Poeta

22 Poemas

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Elegia do Amor (1)

Lembras-te, meu amor,/ Das tardes outonais,/ Em que íamos os dois,/ Sozinhos, passear,/ Para fora do povo/ Alegre e dos casais,/ Onde só Deus pudesse/ Ouvir-nos conversar?/ Tu levavas, na mão,/ Um lí...

Tristêza (2)

O sol do outomno, as folhas a cair,/ A minha voz baixinho soluçando,/ Os meus olhos, em lagrimas, beijando/ A terra, e o meu espirito a sorrir.../ / Eis como a minha vida vae passando/ Em frente ao s...

Encantamento (3)

Quantas vezes, ficava a olhar, a olhar/ A tua dôce e angelica Figura,/ Esquecido, embebido num luar,/ Num enlêvo perfeito e graça pura!/ / E á força de sorrir, de me encantar,/ Deante de ti, mimosa C...

O Que Eu Sou (4)

Nocturna e dubia luz/ Meu sêr esboça e tudo quanto existe.../ Sou, num alto de monte, negra cruz,/ Onde bate o luar em noite triste.../ / Sou o espirito triste que murmura/ Neste silencio lúgubre das...

Trágica Recordação (5)

Meu Deus! meu Deus! quando me lembro agora/ De o ver brincar, e avisto novamente/ Seu pequenino Vulto transcendente,/ Mas tão perfeito e vivo como outrora!/ / Julgo que ele ainda vive; e que, lá fóra...

Nas Trevas (6)

Como estou só no mundo! Como tudo/ É lagrima e silencio!/ / Ó tristêsa das Cousas, quando é noite/ Na terra e em nosso espirito!... Tristêsa/ Que se anuncia em vultos de arvoredos,/ Em rochas diluida...

De Noite (7)

Quando me deito ao pé da minha dôr,/ Minha Noiva-phantasma; e em derredor/ Do meu leito, a penumbra se condensa,/ E já não vejo mais que a noite imensa,/ Ante os meus olhos intimos, acêsos,/ Extatico...

No Crepusculo (8)

Nasce a luz do luar dos derradeiros,/ Êrmos, soturnos pincaros sósinhos.../ Andam sombras no ar e murmurinhos/ E vagidos de luz... e os Pegureiros/ Descem, cantando, a encosta dos outeiros.../ / Tang...

A Mãe e o Filho (9)

Teu sêr tragicamente enternecido,/ Em desespero de alma transformado,/ Vae através do espaço escurecido/ E pousa no seu tumulo sagrado./ / E ele acorda, sentindo-o; e, comovido,/ Chora ao vêr teu esp...

Ausencia (10)

Lúgubre solidão! Ó noite triste!/ Como sinto que falta a tua Imagem/ A tudo quanto para mim existe!/ / Tua bemdita e efémera passagem/ No mundo, deu ao mundo em que viveste,/ Á nossa bôa e maternal P...

Noites em Claro (11)

Passas em claro as noites a chorar;/ Dia a dia, teu rosto empalidece.../ Faze tu, pobre Mãe, por serenar,/ Santa Resignação sobre ela desce!/ / Rochedo que a penumbra desvanece,/ Tu, por acaso, não l...

A Minha Dôr (12)

Tua morte feriu-me no mais fundo,/ Remoto da minh'alma que eu julgava/ Já fóra desta vida e deste mundo!/ / E vejo agora quanto me enganava,/ Imaginando possuir em mim/ Alma que fôsse livre e não esc...

Idílio (13)

Sinto que, ás vezes, choras, minha Irmã,/ No teu sombrio quarto recolhida.../ É que ele vem rompendo a sombra vã/ Da Morte, e lhe aparece á luz da vida!/ / E afflicta, como choras, minha Irmã.../ Teu...

Remorsos (14)

Onde comtigo, um dia, me zanguei,/ É hoje um sitio escuro que aborreço;/ E sempre que ali passo, eu anoiteço!.../ Ah, foi um crime, sim, que pratiquei!/ / Quantas negras torturas eu padeço/ Pelo pequ...

Olhar Eterno (15)

Aquele olhar tão triste,/ Onde ia, feito em lagrima, o que eu sou,/ Isto é, tudo o que existe,/ No instante em que pousou,/ Relampago do Além,/ Sobre ti, meu querido e pobre Anjinho,/ Já deitado na c...

O Nascimento (16)

Aí vem a estrela! Aí vem, sobre a montanha,/ Rompendo a sombra etérea do crepúsculo!/ A paisagem tornou-se mais estranha,/ Mais cheia de silêncio e de mistério!/ Dormem ainda as árvores e os homens,/...

Minha Alegria (17)

Minha alegria foi no teu caixão;/ Deitou-se ao pé de ti, na sepultura,/ A fim de acalentar teu coração/ E tornar-te mais branda a terra dura./ / Por isso, é para mim consolação/ Esta sombria dôr que ...

Sobresalto (18)

Quantas horas passava contemplando/ Seu pequenino Vulto. Era um Anjinho/ Dentro de nossa casa, abençoando.../ Era uma Flôr, um Astro, um Amorzinho./ / Um dia, em que ele, ao pé de mim, sósinho/ Brinc...

Delirio (19)

Não posso crêr na morte do Menino!/ E julgo ouvi-lo e vê-lo, a cada passo.../ É ele? Não. Sou eu que desatino;/ É a minha dôr soffrida, o meu cansaço./ / Delirio que me prendes num abraço,/ Emendarás...

No Seu Tumulo (20)

Sobre o seu frio berço sepulcral,/ Meu espirito resa ajoelhado;/ E sente-se perfeito e virginal/ Na sua dôr divina concentrado./ / Caí, gotas de orvalho matinal!/ Astros, caí do céu todo estrelado!/ ...
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