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Teixeira de Pascoaes

Portugal
8 Nov 1877 // 14 Dez 1952
Poeta

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22 Poemas

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Noites em Claro (11)

Passas em claro as noites a chorar;/ Dia a dia, teu rosto empalidece.../ Faze tu, pobre Mãe, por serenar,/ Santa Resignação sobre ela desce!/ / Rochedo que a penumbra desvanece,/ Tu, por acaso, não l...

A Minha Dôr (12)

Tua morte feriu-me no mais fundo,/ Remoto da minh'alma que eu julgava/ Já fóra desta vida e deste mundo!/ / E vejo agora quanto me enganava,/ Imaginando possuir em mim/ Alma que fôsse livre e não esc...

Idílio (13)

Sinto que, ás vezes, choras, minha Irmã,/ No teu sombrio quarto recolhida.../ É que ele vem rompendo a sombra vã/ Da Morte, e lhe aparece á luz da vida!/ / E afflicta, como choras, minha Irmã.../ Teu...
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Remorsos (14)

Onde comtigo, um dia, me zanguei,/ É hoje um sitio escuro que aborreço;/ E sempre que ali passo, eu anoiteço!.../ Ah, foi um crime, sim, que pratiquei!/ / Quantas negras torturas eu padeço/ Pelo pequ...

Olhar Eterno (15)

Aquele olhar tão triste,/ Onde ia, feito em lagrima, o que eu sou,/ Isto é, tudo o que existe,/ No instante em que pousou,/ Relampago do Além,/ Sobre ti, meu querido e pobre Anjinho,/ Já deitado na c...

O Nascimento (16)

Aí vem a estrela! Aí vem, sobre a montanha,/ Rompendo a sombra etérea do crepúsculo!/ A paisagem tornou-se mais estranha,/ Mais cheia de silêncio e de mistério!/ Dormem ainda as árvores e os homens,/...
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Minha Alegria (17)

Minha alegria foi no teu caixão;/ Deitou-se ao pé de ti, na sepultura,/ A fim de acalentar teu coração/ E tornar-te mais branda a terra dura./ / Por isso, é para mim consolação/ Esta sombria dôr que ...

Sobresalto (18)

Quantas horas passava contemplando/ Seu pequenino Vulto. Era um Anjinho/ Dentro de nossa casa, abençoando.../ Era uma Flôr, um Astro, um Amorzinho./ / Um dia, em que ele, ao pé de mim, sósinho/ Brinc...

Delirio (19)

Não posso crêr na morte do Menino!/ E julgo ouvi-lo e vê-lo, a cada passo.../ É ele? Não. Sou eu que desatino;/ É a minha dôr soffrida, o meu cansaço./ / Delirio que me prendes num abraço,/ Emendarás...

No Seu Tumulo (20)

Sobre o seu frio berço sepulcral,/ Meu espirito resa ajoelhado;/ E sente-se perfeito e virginal/ Na sua dôr divina concentrado./ / Caí, gotas de orvalho matinal!/ Astros, caí do céu todo estrelado!/ ...
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