Tomas Transtromer

Suécia
15 Abr 1931 // 26 Mar 2015
Poeta/Tradutor [Nobel 2011]

Lisboa

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas
Subidas.
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos.
Eles acenavam através das grades.
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados!

"Mas aqui", dizia o revisor e ria baixinho como um afectado
"aqui sentam-se os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
e em cima, a uma janela, um homem,
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando
para além do mar.

A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos depois, peguntei a uma dama de Lisboa:
Isto é real, ou fui eu que sonhei ?

Tomas Tranströmer
(Tradução por Luís Costa)

// Consultar versos e eventuais rimas




Outros Poemas de Tomas Transtromer:

1. Lisboa
2. Funchal
3. Fachadas
4. Novembro
5. A Neve Cai

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