38 Poemas

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Sobre um Poema (1)

Um poema cresce inseguramente/ na confusão da carne,/ sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,/ talvez como sangue/ ou sombra de sangue pelos canais do ser./ / Fora existe o mundo. Fora, a esp...

Poema Melancólico a não sei que Mulher (2)

Dei-te os dias, as horas e os minutos/ Destes anos de vida que passaram;/ Nos meus versos ficaram/ Imagens que são máscaras anónimas/ Do teu rosto proibido;/ A fome insatisfeita que senti/ Era de ti,...

Quase um Poema de Amor (3)

Há muito tempo já que não escrevo um poema/ De amor./ E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!/ A nossa natureza/ Lusitana/ Tem essa humana/ Graça/ Feiticeira/ De tornar de cristal/ A mais sentime...

arte poética (4)

o poema não tem mais que o som do seu sentido,/ a letra p não é a primeira letra da palavra poema,/ o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,/ poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê...
A Criança em Ruínas

Não há Vagas (5)

O preço do feijão/ não cabe no poema. O preço/ do arroz/ não cabe no poema./ Não cabem no poema o gás/ a luz o telefone/ a sonegação/ do leite/ da carne/ do açúcar/ do pão/ / O funcionário público/ n...

O Poema (6)

O poema não é o canto/ que do grilo para a rosa cresce./ O poema é o grilo/ é a rosa/ e é aquilo que cresce./ / É o pensamento que exclui/ uma determinação/ na fonte donde ele flui/ e naquilo que des...

Liberdade (7)

O poema é/ A liberdade/ / Um poema não se programa/ Porém a disciplina/ — Sílaba por sílaba — / O acompanha/ / Sílaba por sílaba/ O poema emerge/ — Como se os deuses o dessem/ O fazemos/ / Sophi...

Poema para Iludir a Vida (8)

Tudo na vida está em esquecer o dia que passa./ Não importa que hoje seja qualquer coisa triste,/ um cedro, areias, raízes,/ ou asa de anjo/ caída num paul./ O navio que passou além da barra/ já não ...

Ansiedade (9)

Quero compor um poema/ onde fremente/ cante a vida/ das florestas das águas e dos ventos./ / Que o meu canto seja/ no meio do temporal/ uma chicotada de vento/ que estremeça as estrelas/ desfaça mito...

Este é o Prólogo (10)

Deixaria neste livro/ toda minha alma./ Este livro que viu/ as paisagens comigo/ e viveu horas santas./ / Que compaixão dos livros/ que nos enchem as mãos/ de rosas e de estrelas/ e lentamente passam...

Poema para Galileo (11)

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,/ aquele teu retrato que toda a gente conhece,/ em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce/ sobre um modesto cabeção de pano./ Aquele retrato da Gale...

Arrependo-me de a Meter num Romance (12)

O poema tem mais pressa que o romance,/ Asa de fogo para te levar:/ Assim, pois, se houver lama que te lance/ Ao corpo quente algum, hei-de chorar./ / Deus fez o poeta por que não descanse/ No golfo ...

Coisas, Pequenas Coisas (13)

Fazer das coisas fracas um poema./ / Uma árvore está quieta,/ murcha, desprezada./ Mas se o poeta a levanta pelos cabelos/ e lhe sopra os dedos,/ ela volta a empertigar-se, renovada./ E tu, que não s...

Balada do Poema que não Há (14)

Quero escrever um poema/ Um poema não sei de quê/ Que venha todo vermelho/ Que venha todo de negro/ Às de copas às de espadas/ Quero escrever um poema/ Como de sortes cruzadas/ / Quero escrever um po...

Poema Involuntário (15)

Decididamente a palavra/ quer entrar no poema e dispõe/ com caligráfica raiva/ do que o poeta no poema põe./ / Entretanto o poema subsiste/ informal em teus olhos talvez/ mas perdido se em precisa pa...

espaço interior (16)

quando o poema/ são restos do naufrágio/ do espaço interior/ numa furtiva luz/ desesperada,/ / resvalando até/ à superfície,/ lisa, firme, compacta,/ das coisas que todos/ os dias agarramos,/ / quand...

A Leitora (17)

A leitora abre o espaço num sopro subtil./ Lê na violência e no espanto da brancura./ Principia apaixonada, de surpresa em surpresa./ Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco./ Ela fala com as pe...

A Leitora (18)

A leitora abre o espaço num sopro subtil./ Lê na violência e no espanto da brancura./ Principia apaixonada, de surpresa em surpresa./ Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco./ Ela fala com as pe...

Do Medo (19)

1/ / Não pode o poema/ circunscrever o medo,/ dar-lhe o rosto glorioso/ de uma fábula/ ou crer intensamente na sua aura./ Nós permanecemos, quando/ escurece à nossa volta o frio/ do esquecimento/ e d...

Poemas São como Vitrais Pintados (20)

Poemas são como vitrais pintados!/ Se olharmos da praça para a igreja,/ Tudo é escuro e sombrio;/ E é assim que o Senhor Burguês os vê./ Ficará agastado? — Que lhe preste!.../ E agastado fique toda a...
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