11 Poemas



O Silêncio (1)

Quando a ternura/ parece já do seu ofício fatigada,/ / e o sono, a mais incerta barca,/ inda demora,/ / quando azuis irrompem/ os teus olhos/ / e procuram/ nos meus navegação segura,/ / é que eu te f...

A Festa do Silêncio (2)

Escuto na palavra a festa do silêncio./ Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se./ As coisas vacilam tão próximas de si mesmas./ Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas./ É o vazio ou...

Silêncio (3)

Assim como do fundo da música/ brota uma nota/ que enquanto vibra cresce e se adelgaça/ até que noutra música emudece,/ brota do fundo do silêncio/ outro silêncio, aguda torre, espada,/ e sobe e cres...

Silêncio (4)

Já o silêncio não é de oiro: é de cristal;/ redoma de cristal este silêncio imposto./ Que lívido museu! Velado, sepulcral./ Ai de quem se atrever a mostrar bem o rosto!/ / Um hálito de medo embaciand...

Silêncio, Nostalgia... (5)

Silêncio, nostalgia.../ Hora morta, desfolhada,/ sem dor, sem alegria,/ pelo tempo abandonada./ / Luz de Outono, fria, fria.../ Hora inútil e sombria/ de abandono./ Não sei se é tédio, sono,/ silênci...

Quanto é Melhor Calar, que Ser Ouvido (6)

Silêncio divinal, eu te respeito!/ Tu, meu Numen serás, serás meu guia/ Se até 'qui, insensato, errei a via/ De Harpócrates, quebrando o são preceito,/ / Hoje à vista do mal que tenho feito,/ Em ser ...

As Horas pela Alameda (7)

As horas pela alameda/ Arrastam vestes de seda,/ / Vestes de seda sonhada/ Pela alameda alongada/ / Sob o azular do luar.../ E ouve-se no ar a expirar -/ / A expirar mas nunca expira -/ Uma flauta qu...

Afirmação (8)

A essência das coisas é senti-las/ tão densas e tão claras,/ que não possam conter-se por completo/ nas palavras./ / A essência das coisas é nutri-las/ tão de alegria e mágoa,/ que o silêncio se ajus...

O Silêncio (9)

Peço apenas o teu silêncio,/ como uma criança pede uma flor/ ou um velho pedinte um bocado de pão./ Um silêncio/ onde a tua alma se embrulha, friorenta,/ trémula, à aproximação das invernias./ Um sil...

Quero a Fome de Calar-me (10)

Quero a fome de calar-me. O silêncio. Único/ Recado que repito para que me não esqueça. Pedra/ Que trago para sentar-me no banquete/ / A única glória no mundo — ouvir-te. Ver/ Quando plantas a vinha,...

O que se é Vem à Flor? (11)

Não, não digas nada Fernando Pessoa/ / Melhor seria não dizer-te nada/ já que as palavras se frustram, Pessoa/ - ai! onde as pás sutis e as virgens lavras/ do ver de terna fala en...


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Raízes

Ehrenburg, que lia e traduzia os meus versos, repreendia-me: demasiada raiz, demasiadas raízes, nos teus versos. Porquê tantas? É verdade. As terras fronteiriças do Chile infiltraram as suas raízes n...

O Começo de Todas as Histórias

O começo de todas as histórias é, no princípio, ridículo. Parece não haver esperança de que esta coisa acabada de nascer, ainda incompleta e tenra em todas as suas articulações, seja capaz de se mant...
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