David Mourão-Ferreira

Portugal
24 Fev 1927 // 16 Jun 1996
Poeta/Escritor

24 Poemas

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Elegia do Ciúme (11)

A tua morte, que me importa,/ se o meu desejo não morreu?/ Sonho contigo, virgem morta,/ e assim consigo (mas que importa?)/ possuir em sonho quem morreu./ / Sonho contigo em sobressalto,/ não vás fu...

Praia do Esquecimento (12)

Fujo da sombra; cerro os olhos: não há nada./ A minha vida nem consente/ rumor de gente/ na praia desolada./ / Apenas decisão de esquecimento:/ mas só neste momento eu a descubro/ como a um fruto rub...

A Secreta Viagem (13)

No barco sem ninguém, anónimo e vazio,/ ficámos nós os dois, parados, de mão dada.../ Como podem só dois governar um navio?/ Melhor é desistir e não fazermos nada!/ / Sem um gesto sequer, de súbito e...

Soneto do Cativo (14)

Se é sem dúvida Amor esta explosão/ de tantas sensações contraditórias;/ a sórdida mistura das memórias,/ tão longe da verdade e da invenção;/ / o espelho deformante; a profusão/ de frases insensatas...

Rua de Roma (15)

Quero uma rua de Roma/ com seus rubros com seus ocres/ com essa igreja barroca/ essa fonte esse quiosque/ aquele pátio na sombra/ ao longe a luz de um zimbório/ mais o cimo dessa torre/ que não tem r...

Do Tempo ao Coração (16)

E volto a murmurar Do cântico de amor/ gerado na Suméria às novas europutas/ Do muito que me dás ao muito que não dou/ mas que sempre conservo entre as coisas mais puras/ / De uma genebra a m...

Canção Amarga (17)

Que importa o gesto não ser bem/ o gesto grácil que terias?/ — Importa amar, sem ver a quem.../ Ser mau ou bom, conforme os dias./ / Agora, tu, só entrevista,/ quantas imagens me trouxeste!/ Mas é p...

Voto de Natal (18)

Acenda-se de novo o Presépio no Mundo! / Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos! / Como quem na corrida entrega o testemunho, / passo agora o Natal para as mãos dos meus filhos. / / E a corrida que si...

Prelúdio de Natal (19)

Tudo principiava/ pela cúmplice neblina/ que vinha perfumada/ de lenha e tangerinas/ / Só depois se rasgava/ a primeira cortina/ E dispersa e dourada/ no palco das vitrinas/ / a festa começava/ entre...

Memória (20)

Tudo que sou, no imaginado/ silêncio hostil que me rodeia,/ é o epitáfio de um pecado/ que foi gravado sobre a areia./ / O mar levou toda a lembrança./ Agora sei que me detesto:/ da minha vida de cri...
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