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Orlando Loureiro Neves

Portugal
11 Set 1935 // 24 Jan 2005
Escritor/Poeta/Dramaturgo/Tradutor

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20 Poemas

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A Idade (11)

Ao princípio, era a doença de ser, pura e simples/ exaltação das trevas de que a casa era a luz do mundo./ Ao princípio, estava o amor oculto no secreto fio/ da memória do mundo. Ao princípio, era o ...

O Coração (12)

Que jogo jogas, comédia ou lágrima? Cor/ suspensa. Prodígio doendo. Enganador/ relâmpago. Donde se enreda esta coragem/ que chora ao riso e ri à dor? Quatro são/ / as pedras mestras do teu jogo. Dois...

O Corpo (13)

Ante as portas desgarradas, paradoxal/ é a morte: impossível, feito realidade,/ acaso predito. Corpo, deus imortal,/ para sempre cego e mudo, abandona-te ao livre/ / ar. Que te transformes e assemelh...
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Só os Lábios Respiram (14)

Só os lábios respiram. Simples gesto vivo,/ exílio do som onde se oculta o pavor da/ palavra, pátria salgada cerrada no vazio/ da casa de velhos deuses ávidos de preces./ Na garra da águia se fecha e...

Erra, Fio mortal da Alma, o Destino (15)

Erra, fio mortal da alma, o destino. / Porém, trémulo, o não temo./ Seco será o poder do nada, o silêncio/ dos deuses ou o rosto corrompido/ dos homens. Estas folhas ásperas/ e pálidas entardecem e c...

Como Realiza o Corpo este Exercício da Queda (16)

Como realiza o corpo este exercício/ da queda no súbito conhecimento/ do espanto, quando os olhos estão vencidos,/ cerrados pela transparência e pela luz/ ofuscante da alva? À medida que o corpo/ sec...
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Só no Pensamento Volta o Mundo (17)

Só no pensamento volta o/ mundo. Ao ruído da voz/ apenas aspiro — que a alma/ é o ser mais que a dor ou o/ verde cinza do halo das/ árvores na manhã íntima das/ cores diurnas. Temi os/ deuses pelo co...

O Sono (18)

É um braço magro de mulher, uns olhos espectrais/ e brilhantes, uma cabeça de esfinge, uma lâmpada/ que fumega. Talvez por os não vermos, vejamos rios/ que flamejam, jardins sepultos, um antepassado/...

Criei, não Possuí (19)

Criei, não possuí./ Instante de infinitude, o que moldei na voz/ respira. A firme casa do meu corpo se fez/ pelo contraste, que só o contrário cria./ Não possuí,/ denso ou raro,/ pequeno até ao nada,...

A Área (20)

Tudo o que houve, permanece, proeza do corpo/ como um sulco bárbaro da memória dos dias,/ ritos, remorsos, sementes futuras, a mudez./ Tudo aconteceu nas lágrimas e nas veias,/ / na precisão das luze...
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