Jorge Luis Borges

Argentina
24 Ago 1899 // 14 Jul 1986
Escritor/Poeta/Ensaísta

Em Memória de Angélica

Quantas vidas possíveis já descansam
Nesta bem pobre e diminuta morte,
Quantas vidas possíveis que outra sorte
Daria ao esquecimento ou à lembrança!
Quando eu morrer, morrerá um passado;
Com esta flor, morreu só um futuro
Nas águas que o ignoram, o mais puro
Porvir hoje pios astros arrasado.
Eu, como ela, morro em infinitos
Destinos que já não me oferece o acaso;
Procura a minha sombra os gastos mitos
De uma pátria que sempre deu a face.
Um breve mármore diz a sua memória;
Sobre nós todos cresce, atroz, a história.

Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"
// Consultar versos e eventuais rimas




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