Se eu varresse todas as manhãs as pequenas/ agulhas que caem deste arbusto e o chão/ que lhes dá casa, teria uma metáfora perfeita para/ o que me levou a desamar-te. Se todas as manhãs/ lavasse ...
Tão lentamente, como alheio, o excesso de desejo,/ atento o olhar a outros movimentos,/ de contacto a contacto, em sereno anseio, leve toque,/ obscuro sexo á flor da pele sob o entreaberto/ de roup...
Os mais difíceis poemas onde falo de amor/ são aqueles em que o amor contempla./ / O amor esquece ao contemplar,/ esquece que não existe e encantado olha/ um raio anónimo sob o vento mais leve./ ...
Volta até mim no silêncio da noite/ a tua voz que eu amo, e as tuas palavras/ que eu não esqueço. Volta até mim/ para que a tua ausência não embacie/ o vidro da memória, nem o transforme/ no ...
o teu amor, bem sei, é uma palavra musical,/ espalha-se por todos nós com a mesma ignorância,/ o mesmo ar alheio com que fazes girar, suponho, os epiciclos;/ ergues os ombros e dizes, hoje, amanhÃ...
Rompe-se a escuridão quando ao olhar/ para uma face o mundo se ilumina/ com uma claridade repentina/ capaz de, só por si, fazer brilhar/ / a substância tão irregular/ de tudo o que se acende na r...
Tanto de amor se disse que não sei/ Como dizer que amor é outra coisa/ Que nem só o teu corpo me fez rei/ Nem tua alma só me deu a rosa/ Tanto se disse menos o dizer/ Esta paixão que é de todo ...
Vós Outros! que Dizeis que o Amor é um Suplício (528)
Vós outros! que dizeis que o Amor é um suplício,/ Que a flor da Decepção se abre em todo o Prazer,/ Que aconselhais à Alma o mosteiro, e o cilício,/ Pois nada pode consolar-nos de viver:/ / Po...
Ferido sem ter cura perecia/ O forte e duro Télefo temido/ Por aquele que na água foi metido,/ E a quem ferro nenhum cortar podia./ / Quando a apolíneo Oráculo pedia/ Conselho para ser restituíd...
Uma harpa envelhece./ Nada se ouve ao longo dos canais e os remadores/ sonham junto às estátuas de treva./ A tua sombra está atrás da minha sombra e dança./ Tocas-me de tão longe, sobre a falé...
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