Pedro Tamen

Portugal
n. 1 Dez 1934
Poeta/Tradutor

14 Poemas



A Luz que Vem das Pedras (1)

A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra,/ tu a colhes, mulher, a distribuis/ tão generosa e à janela do mundo./ O sal do mar percorre a tua língua;/ não são de mais em ti as coisas mais./ Melhor...

Troco-me por Ti (2)

Troco-me por ti/ Na brasa da fogueira mal ardida/ renovo o fogo que perdi,/ acendo, ascendo, ao lume, ao leme, à vida./ / E só trocado, parece, por não ser/ na verdade conjugo o velho verbo/ e sou, r...

Devagar te Amo (3)

Devagar te amo, e devagar assomo/ os dedos à altura dos olhos, do cabelo/ dos anéis de outro turno, que é só meu/ por querê-lo, meu amor, como a ti mesma quero/ nos tempos de passado e sem futuro./ D...

Quero-te de Branco, Meu Amor (4)

Quero-te de branco,/ ou antes, modelada/ nas roupas que cosesses/ das bonecas, nos saltos,/ nos baloiços, nos degraus/ de uma porta qualquer donde saísses./ Quero-te de branco e intocada,/ carregada ...

Não sei, Amor, sequer, se te Consinto (5)

Não sei, amor, sequer, se te consinto/ ou se te inventas, brilhas, adormeces/ nas palavras sem carne em que te minto/ a verdade intemida em que me esqueces./ / Não sei, amor, se as lavas do vulcão/ n...

Escrito de Memória (6)

Formado em direito e solidão,/ às escuras te busco enquanto a chuva brilha./ É verdade que olhas, é verdade que dizes./ Que todos temos medo e água pura./ / A que deuses te devo, se te devo,/ que esp...

O Mar é Longe, mas Somos Nós o Vento (7)

O mar é longe, mas somos nós o vento;/ e a lembrança que tira, até ser ele,/ é doutro e mesmo, é ar da tua boca/ onde o silêncio pasce e a noite aceita./ Donde estás, que névoa me perturba/ mais que ...

Não Digo do Natal (8)

Não digo do Natal – digo da nata/ do tempo que se coalha com o frio/ e nos fica branquíssima e exacta/ nas mãos que não sabem de que cio/ / nasceu esta semente; mas que invade/ esses tempos relíquido...

Não Tenho para Ti Quotidiano (9)

Não tenho para ti quotidiano/ mais que a polpa seca ou vento grosso,/ ter existido e existir ainda,/ querer a mais a mola que tu sejas,/ saber que te conheço e vai chegar/ a mão rasa de lona para ama...

Amigo, a que Vieste? (10)

Onde foste ao bater das quatro horas/ e, antes, quem eras tu, se eras?/ Amigo ou inimigo, posso falar-te agora/ sentado à minha frente e com os ombros/ vergados ao peso da caneta?/ Falo-te sobre a ca...

Um Fado: Palavras Minhas (11)

Palavras que disseste e já não dizes,/ palavras como um sol que me queimava,/ olhos loucos de um vento que soprava/ em olhos que eram meus, e mais felizes./ / Palavras que disseste e que diziam/ segr...

Amar-te é Vir de Longe (12)

Amar-te é vir de longe,/ descer o rio verde atrás de ti,/ abrir os braços longos desde os sete/ anos sob a latada ao pé do largo,/ guardar o cheiro a figos vistos lá,/ a olho nu, ao pé, ao pé de ti,/...

A Segurança Destas Paralelas (13)

A segurança destas paralelas/ — a beira da varanda e o horizonte;/ assim me pacifico, e é por elas/ que subo lentamente cada monte./ / O tempo arrefecido, e só soprado/ por uma brisa tarda que do mar...

Só dos Mortos Devemos Ter Ciúmes (14)

Só dos mortos devemos ter ciúmes; acordar/ de entre as pedras doentes dolorosos/ que da beira das arribas nos atirem ao porto/ onde enfim se encontre a nossa angústia./ Só eles lutam palmo a palmo pe...


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